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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cem poemas dos Cem poetas

Murasaki Shikibu poema 57
O Hyakunin Isshu Ogura é uma famosa compilação de 100 poemas escritos por 100 poetas durante o período Heian (794-1185), os poemas foram escolhidos pelo nobre Fujiwara no Teika *Sadaie* (1162-1241), para decorar as paredes de uma casa no destrito de Ogura e foi revisada por seu filho Fujiwara no Tameie. Os poemas estão em ordem crescente indo Imperador Tenji ap Imperador Juntoku.
A Era Heian frecebeu esse nome por sua capital Heyan-Kyo (atual Kyoto) e foi marcada pela aristocracia, pelo desenvolvimento das influências chinesas como o budismo e até mesmo a própria poesia e a literatura.
Os poemas são escritos em tankas (compostos por 31 sílabas) e na forma poética waka, o qual descreve as emoções em vez de explicá-las o que difere da poesia ocidental. É uma forma de escrita muito antiga, vinda mil anos antes do haiku, os poemas orientais usualmente conhecidos e que possuem 17 sílabas. Ainda hoje a família imperial japonesa realiza um concurso anual com esse estilo de poesia.
A maioria dos poemas são sobre amor -43 deles- e foram escritas em forma de cartas, o restante falava sobre a natureza e as estações do ano. Todos os poemas foram escritos por alguém que fazia parte da corte imperial, pois naquela época era suposto que os mais pobres não soubessem nada sobre arte.
O Hyakunin Isshu Ogura é tão popular que influenciou outras compilações como o Buke Hyakunin Isshu (Cem poemas de cem samurais) e Aikoku Hyakunin Isshu (Cem poetas de Cem patriotas). Além de ser a base de criação do jogo Karuta, explicado aqui anteriormente. 
Ficaram curiosos? Nesse site tem os 100 poemas escritos em kanji, romaji e inglês. Existe ainda um mangá/anime muito legal chamado Chouyaku Hyakunin Isshu: Uta-Koi, escrito por que conta de forma bem liberal as histórias por trás dos poemas de amor. Segue o trailler, o anime foi legendado em português pelo Dollars Fansub.

Dos poemas descritos nos episódios um dos meus poemas preferidos foi escrito pelo Imperador Yozei, que era um tirano, mas conseguiu fazer um dos poemas mais lindos que já li. Vale dizerque a maioria dos poemas são em duplo sentido, quando estão em japonês, e por isso é muito difícil a sua tradução.

"Assim como o riacho que desce da montanha Tsukuba vai ganhando força até se tornar um rio, meu amor também cresce devastadoramente."

田子の浦に
うちいでて見れば
白妙の
富士の高嶺に
雪はふりつつ

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As lanternas orientais

Yo minna-san, hoje vim falar de um elemento muito importante na decoração japonesa e que é muito conhecido no ocidente, as tradicionais lanternas de papel. Comum no ocidente por ornamentar estabelecimentos e festivais orientais as Chouchin (ちょうちん)-lanternas- são originárias da China e datam de mais de 2000 anos, tendo desde então sua tradição espalhada por todos os países asiáticos principalmente através do budismo com cerimônias, casamentos etc.
Sua principal utilidade era originalmente iluminar o caminho antes do surgimento da energia elétrica, usando papel ou seda com uma vela dentro. 
Bonbori
Hoje em dia as lanternas ainda são feias de maneira artesanal utilizando os materiais tradicionais o papel, seda e o bambu ou ainda utilizar arames e vinil, o qual é mais resistente. Possui diversos tamanhos, cores e enfeitesalguns contendo caracteres chineses escritos a mão.
Há dois tipos de lanternas: Bonboris e Chouchin Moji
Chouchin Moji
As bonboris são utilizadas em casa ou templos, sustentadas por uma base verical e funcionam como uma luminária para ambientes internos. Assumindo formas hexagonais, quadradas ou mais arredondadas. As Chouchin Moji são as mais comuns para os ocidentais, com uma aparência  esféricas são encontradas em festivais e templos, com uma aparência cilíndrica são geralmente utilizadas em bares e restaurantes, possuem ainda decoração com caracteres chineses.

Em Kamakura, província de Kanagawa, é realizado todos os anos um festival popular chamado Bonbori Matsuri (ぼんぼり祭り), no Santuário Xintoísta Tsurugaoka Hachiman-gu. Cerca de 400 bonboris são criados por artistas especialmente para a ocasião.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O vento divino

Yo minna! Creio que muita gente já ouviu falar nos Kamikazes da segunda guerra mundial, mas poucos conhecem sua verdadeira origem e significado. Pois bem Kamikaze que significa vento divino (kami - deus e kaze - vento) é na verdade o nome de um tufão que atingiu a costa de kyushu - ilha do extremo sul do Japão- no ano de 1281, quando o país estava prestes a ser invadido por frotas do império Mongol liderada por Kublai Khan, impedindo que fossem atacados.

A Grande Onda de Kagawa - katsushika Hokusai

Os Kamikazes da segunda guerra surgiram em razão do orgulho japonês, os quais sempre ganhou as guerras que travava. Quando os Estados Unidos começou a bombardear o Japão, após o ataque à base de Pearl Harbor, os japoneses não tiveram chance frente ao bombardeio americano e começou a sofrer derrotas uma atrás da outra e terríveis baixas em seu exército, chegando a perder 130.000 homens em uma única batalha.
Para que o povo japonês não perdesse a vontade de lutar a imprensa, assim como o próprio imperador Hirohito, estimulava -os exaltando a glória na morte de seus companheiros e trazendo referencia do passado, da época dos samurais onde morrer em defesa do seu mestre era uma honra.
Naquele momento a guerra estava praticamente perdida, então os Kamikazes surgiram a partir desse espírito de luta resgatado da sua época gloriosa, juntando ao fato de sempre subjugarem seus inimigos. Portanto não deixariam que os americanos vencessem, mesmo que isso significasse o fim de sua vida.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A arte das flores


Deste tempos históricos os japoneses desenvolvem sua arte com maestria, uma das mais tradicionais apesar de não ter surgido no Japão foi lá desenvolvida e faz parte da cultura nipônica até hoje. Essa arte é conhecida como Ikebana (flor colocada) e tem como propósito de fazer os mais belos arranjos florais utilizando 
A arte originária da Índia no zen budismo e utilizada para reverenciar buda foi passada à China e em 607 d.c os japoneses aprenderam essa arte com os chineses. A partir daí essa arte se desenvolveu e no século XIV adquiriu além do caráter religioso, o caráter artístico e era praticada pelos nobres da época, com regras próprias que só os já introduzidos nessa arte compreendem.
Com o passar dos séculos a arte foi se popularizando e fazendo parte da cultura tradicional japonesa, sendo levada para outros povos por seus descendentes como o Brasil por exemplo, que possui 16 escolas cadastradas na Associação Ikebana do Brasil.
O Ikebana se divide em três estilos: IkenoboOhara e Sogetsu sendo cada um faz parte de uma época histórica do Japão. O primeiro e o mais antigo surgiu há mais de 500 anos na cidade de Kyoto criado por Senkei e Senno Ikenobo; O segundo data-se da Era Meiji (1867-1912) e foi criado por Unshin Ohara ex aluno da escola Ikenobo; e o terceiro foi criado em 1931 pelo jovem Sofu Teshigahara.
O Ikebana é uma maneira criativa e graciosa de presentear alguém com um belo arranjo floral, onde são depositadas todas as energias positivas do ser humano.

domingo, 11 de março de 2012

O tempo das sakuras


A primavera está chegando na terra do sol nascente e é hora dos botões de cerejeira se abrirem e também dos japoneses cumprirem uma importante tradição por lá: o Hanami (花 见), que literalmente significa flor que vê e é justamente sentar embaixo das árvores de cerejeira e contemplar as sakuras (桜), que são suas flores.
Esse costume é datado desde a era Nara (710-794) quando as pessoas já observaram as flores de ume (ameixeira), porém foi na era Heian (794-1185) que as sakuras despertaram a atenção ao serem dedicadas à divina colheita e anunciar o plantio de arroz.
Os membros da aristocracia, durante o reinado do imperador Soga, se reuniam na antiga capital kyoto para ler poesias sobre as sakuras e cantar enquanto observavam as flores, esse foi o começo do hanami. Quando os samurais começaram a fazer parte da elite, o costume atingiu também os japoneses comuns e no período Edo se tornou bastante popular e com o incentivo de Tokugawa Yoshimune, que plantou diversas árvores de cerejeira, as pessoas se reuniam para comer e beber alegremente.
Nos dias atuais, os japoneses se reúnem embaixo das cerejeiras não só para contemplá-las, mas também como forma de renovar o espírito. Os lugares são muito disputados, sendo comum as pessoas guardarem lugares durante a madrugada para a família, amigos e até mesmo colegas de trabalho. É o momento em que os japoneses esquecem a corrida do dia a dia para perceber a vida. As sakuras para os japoneses são como a vida efêmeras, mas muito bela.
As sakuras já foi tema de filmes como o Hanami, um filme alemão e também um documentário recente que  relaciona -as ao terremoto e tsunami que ocorreu há um ano em Sekai e Fukushima, chama-se Tsunami and The Cherry Blossom. Ainda não achei ele inteiro para ver então se alguém encontrar por favor diga nos comentários ^^

terça-feira, 6 de março de 2012

Os tesouros sagrados do Japão

Yo minna Genki? Bem vou falar sobre uma crença muito interessante da religião japonesa. Por enquanto não vou entrar em detalhes sobre os deuses e suas histórias, mas aguardem que ainda falarei muito sobre isso.

Os três Tesouros Sagrados do Japão, também conhecido como Tesouros Imperiais estão relacionados à mitologia japonesa e a religião Xintoísta. Diz o mito que Amateratsu - deusa do sol - deu três presentes ao seu neto Ninigi quando ele desceu dos céus para governar o Japão. Os presentes foram a espada o espelho Yata-no-kagami, a jóia Yasakani-no-Magatama, e a espada kusanagi-no-Tsugi eles representam respectivamente a sabedoria; a benevolência; e o valor.
O Yata-no Kagami é um espelho de oito lados que foi forjado pelos kamis(deuses) e junto com a Yasakani-no-Magatama (Jóias Curvadas), a qual amarrou o espelho a árvore sakaki, foram utilizados para retirar a deusa Amateratsu da caverna que tinha se escondido depois de uma decepção com seu irmão Susanoo ( deus do trovão).
A kusanagi-no-Tsugi é uma espada divina encontrada por Susanoo. Quando o deus foi expulso do céu e desceu até a província de Izumo enfrentou o monstro de 8 cabeças e 8 caudas Yamata-no-Orochi, a fim de salvar kushi-nada-hime. Depois de derrota-lo Sunaoo encontrou em uma das caudas a espada e entregou a sua irmã Amateratsu para redimir-se dos seus atos.
Cada objeto fica em um lugar do Japão, o espelho encontra-se no Grande Santuário de Ise - dedicado a Amateratsu, a Jóia está guardada no Palácio Imperial de Tokyo e a Espada está localizada no Santuário de Atsuta.
Os três objetos pertencem a família imperial, pois de acordo com o mito o primeiro imperador do Japão - Jimmu- é bisneto de Ninigi e os tesouros foram passados de geração em geração até os dias atuais. Infelizmente não se tem imagem alguma deles pelo fato de serem sagrados.

domingo, 4 de março de 2012

A poesia das cartas


Um jogo que mistura agilidade, exercício mental e poesia assim é o karuta, palavra derivada do português que significa carta. O karuta é um jogo tradicional japonês em que o jogador deve decorar os poemas dos 100 poetas e pegar mais cartas do que o oponente, podendo ser tanto do seu lado quanto do lado adversário.
O jogo tem duas modalidades a com poemas em que o jogador precisa ouvir a primeira parte do poema e procurar pelo restante dele nas cartas dispostas no chão e a modalidade com figuras, geralmente jogada por crianças, em que devem encontrar o proverbio que condiz com a gravura.

Apesar da técnica ser simples o jogo em si exige muito do jogador. Durante o jogo deve-se decorar a ordem das cartas em 15 minutos, após isso alguém lê um dos 100 poemas e deve-se achar a mesma carta (como se fosse um jogo da memória com palavras). Porém duas coisas torna o jogo difícil uma é que tem 50 cartas que podem ser lidas e não estão no jogo, chamada de cartas mortas, a segunda é que o adversário pode passar uma carta para você quando houver uma falta - pegar uma carta que não está no jogo ou pegar a carta errada - ou embaralhar as cartas na ordem que quiser durante o jogo.
Por isso, mais do que um jogo o karuta poder ser equiparado a um esporte dado ao esforço físico - mental envolvido, pois além do jogador precisar ficar atento às palavras lidas e reconhecer -las imediatamente há necessidade de ser rápido e ágil ao pegar as cartas certas. 
O karuta tem torneios em todo o Japão e os melhores jogadores são chamados de mestre e rainha do karuta, antes disso o jogador precisa passar pelas classes E, D, C, B e A participando de torneios regionais. Além disso, é um jogo que faz parte das brincadeiras tradicionais do ano novo japonês.


                             

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A dança dos samurais

A arte está presente no Japão desde os tempos antigos, na época dos samurais mesmo com as guerras ela estava presente entre eles, uma delas é o kenbu (ken- espada bu - dança). A dança da espada, era praticada pelos samurais como forma de complementar as artes da guerra como o kendo por exemplo. Apesar disso, o kenbu moderno só surgiu na era Meiji, por volta de 1874 quando os samurais já tinham perdido seu posto e eram proibidos de usar katanas.
A dança da espada é realizada a partir do shigin, um poema declamado com música ao fundo tocada por uma shakuhachi (flauta de bambu), que guia a dança. O shigin conta histórias ou lendas antigas do Japão e que remetem à ideologia do samurai.
Com fundamento nas artes maciais o kenbu é diferente das danças artísticas, os praticantes vestidos de um hakama, quimono e tobi lutam ao mesmo tempo que fazem gestos utilizando a espada. 
Uma variação do kenbu surgiu após a II Guerra Mundial, como o tratado pós guerra proibia o uso de espadas - mesmo em artes maciais - os japoneses adaptaram o uso da espada para o leque adaptando sua coreografia, a qual ficou conhecido como shibu. Quando a proibição foi suspensa, sete anos depois surgiu uma nova variação utilizando os dois elementos, o kenshibu (dança do leque e da espada).


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A tradição do hakama

Tradicionalmente utilizado pelos samurais, o hakama é uma calça larga semelhante a uma saia que servia para protege-los quando andavam a cavalo, era feito de um tecido grosso em substituição ao couro que era difícil de ser encontrado naquela época. Posteriormente quando se tornaram soldados continuaram a utilizá-lo, pois eram identificados facilmente. Assim essa peça foi passada através dos tempos e hoje é usada por praticantes de artes maciais.
O hakama também era utilizado nas visitas ao Xogun ou ao Imperador, possuía de 3,5 a 4,5 metros de comprimento, dobrava-se muitas vezes entre os pés e as costas o que obrigava a andar de joelhos (shikko
e impedia que carregassem alguma arma escondida na vestimenta ou se levantasse rapidamente para atacar.
A veste possui sete pregas e cada uma tem nome e simbolizam as 7 virtudes do budo:

1.Yuki = coragem, valor, bravura 
2. Jin = humanidade, caridade, benevolência 
3. Gi = justiça, retidão, integridade 
4. Rei = etiqueta, cortesia, civilidade 
5. Makoto = sinceridade, honestidade, realidade
6. Chugi = lealdade, fidelidade, devoção
7. Meyo = honra, reputação, glória ou reputação, dignidade, prestígio.


Atualmente o hakama é usado nas artes maciais como o aikido e kendo, em algumas só é utilizada pelo sensei ou por alunos mais graduados. A parte inferior chamada de gi era antigamente usada como roupa de baixo, hoje em dia são os uniformes de karatê e judô por exemplo.
Outro uso do hakama é em jogos como o karuta- considerado por muitos como um esporte- onde há muita tradição e suas cartas remontam épocas mitológicas. 





Cultura tradicional na música atual

Hoje trago a vocês um vídeo que mostra a apresentação da banda japonesa Kagrra, no piece & smile carnival 2009. Essa banda sempre mostrou a cultura tradicional através de sua música e do seu visual graças ao vocalista Isshi, o qual gostava muito da tradição japonesa inclusive de kanjis antigos, em suas letras era possível encontrar vários que até os estudantes japoneses desconhecem.
Infelizmente a banda acabou há um ano e Ishi partiu para o outro mundo há pouco mais de seis meses, mas deixou seu legado na música contemporânea japonesa. Esse post é uma homenagem a banda e ao seu grande cantor que nos presenteou com lindas canções.



sábado, 25 de fevereiro de 2012

O poder da Kusarigama

Muitos de nós que acompanham anime, mangá ou filme sobre samurais estão acostumados a vê-los usando katanas- objeto mais comum, leques ou até mesmo espingardas, mas dessa vez eu me deparei com um novo estilo , o qual utilizava a Kusarigama (foice com corrente).
Porém, qual o poder dessa arma?
A Kusarigama é uma foice ligada por uma corrente comprida com um peso de metal na outra extremidade, essa arma pode ser usada de diversas maneiras tais como: lançar o peso em linha reta para atingir o oponente causando danos, lançar a corrente para desarmá -lo, atacar com o cabo da foice ou ainda prender o adversário e depois acertá-lo com a foice.
O treinamento dos samurais que utilizavam a Kusarigama era o mais demorado e levava-se anos para que pudessem aprender a usar a arma com eficiência.
Yuki Kamanosuke
Na cultura popular japonesa vários personagens de games, filmes e mangás fazem uso dessa arma, como por exemplo Yuri Kamanosuke de Brave 10, Axl Low do game Guilty Gear e Raizo do filme Ninja Assassino de 2009. Todos esses personagens eu já tive contato, mas o que mais me chamou atenção foi o kamanosuke creio que por ele ser um personagem tão excêntrico e de colocarem "um poder a mais" quando ele usa a arma, me chamou mais atenção.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A reverência dos japoneses e o começo de tudo

Yo minna, a partir desse post o Sangue Nihon vai mudar um pouquinho, estarei mais perto de você leitor como? bem vou contar mais das minhas experiências com a cultura japonesa tradicional, claro que sempre trazendo informação só que de um jeito mais próximo. Então ikemasu ver o que essa rica cultura tem a nos mostrar hoje.

Bem, quando conheci a cultura tradicional japonesa eu era bem pequena, tanto que nem lembro a idade, mas sei que assistia um filme antigo onde haviam gueixas servindo chá e acompanhando seus senhores e curvando-se a eles. Esse último foi o que mais me intrigou, jamais imaginei que fosse um hábito comum entre todos os japoneses - fato que só vim descobrir já na adolescência.
Sempre pensei que isso acontecesse somente pela posição em que as gueixas se encontravam e que já não existisse mais. Ledo engano, o fato de curvar-se ou melhor reverenciar alguém significa não só um cumprimento como também respeito ou gratidão pela pessoa a sua frente, e isso é feito não só com alguém numa posição acima de você, mas também com colegas de classe, trabalho, vizinhos e até mesmo a foto de uma pessoa que já faleceu. 
A reverência muda de acordo com o nível hierárquico da pessoa a quem se cumprimenta, curva-se mais se for de um nível mais alto como chefe e mais ainda se for o imperador ou uma curva mais leve, de uns 30º, se for um colega ou amigo. Caso seja um pedido de desculpas geralmente curva-se 90º. Parece-ser difícil, principalmente para saber quando é hora de se levantar, mas isso só com a convivência mesmo, afinal eles aprendem desde criança como se portar nas diversas situações.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O ano novo japonês e o ano do dragão

O ano de 2012 está marcado por uma figura imponente, o Dragão. Na China, onde se originou a representação dos anos através de um animal, é o ano 4710, de acordo com o seu calendário lunissolar o qual utiliza o Sol e a Lua. Em alguns países orientais como Coréia, Japão e Indonésia também comemora-se o ano novo chinês, apesar de seguirem o calendário gregoriano (ocidental) para dividir os dias, meses e anos.
No Japão a comemoração deve-se mais a crença budista do que o animal trará no ano que rege, no caso do Dragão traz poder, dinheiro e negócios. O ano do Dragão vai de 23 de janeiro de 2012 a 9 de fevereiro de 2013.
No caso do ano novo tipicamente japonês o que muda em relação ao ocidente é a divisão dos anos, pois lá é dividido em eras, cuja divisão é dada pelo início/fim do reinado de um imperador e quando uma nova era começa, recomeça a contagem dos anos. Antigamente poderia ser iniciada uma nova era por qualquer evento marcante para o Japão, atualmente estão na era Heisei  do imperador Akihito, o qual subiu ao trono em 1989.


Algumas eras importantes do Japão são: Nara, Heian Kamakura e Edo (capital do Japão antigo)

As eras do Japão moderno (1868 - atualmente) são: Meiji,  Taishō, Shōwa, Heisei


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Monte Fuji

A montanha mais imponente do Japão com seus 3.776 metros localiza-se entre as províncias de Yamanashi e Shizuoka, e em média 300 mil alpinistas e turistas por ano, tentam chegar ao pico. Além disso, milhares de pessoas vindas não só do Japão, mas do mundo todo observam a sua beleza através da janela do trem bala que  atravessa o país.
Porém tanta beleza esconde um grande perigo, por ser um vulcão adormecido há mais de 300 anos, a última erupção ocorreu no dia 16 de dezembro de 1707, nunca se sabe quando ele irá explodir novamente. Apesar dessa possibilidade, ninguém acha que isso realmente irá acontecer, ou que acontecerá tão breve, todos só esperam poder vê-lo bem de perto ou até mesmo tocar no majestoso Monte Fuji.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sumô - A luta milenar


O esporte mais representativo do Japão não tem uma data certa de seu início, mas acredita-se que
surgiu há mais de dois mil anos e de acordo com a lenda escrita no livro Kojiki, no passado dois Deuses lutaram entre si para disputar o domínio do arquipélago. Uma característica do Xintoísmo é que os yakozuna - os campeões dos campeões - são considerados como semi-deuses e não podem ser derrotados. Com o passar do tempo foi utilizado nos rituais de colheitas, os quais continuam até hoje.

O mais conhecido é a que acontece no início do torneio, quando os yakozuna abre as pernas e levanta uma dela e depois vai juntando as até o sumotori (lutador de sumô) ficar de pé, outro ritual é jogar sal no dohyo ou arena para purificar, herança do Xintoísmo. Além disso a arena é feita de terra batida remetendo aos tempos de colheitas. O dohyo tem 4,55 cm de diâmetro e duas linhas brancas que marcam à posição dos lutadores.
As características dos sumotoris é os cabelos lubrificados e com topetes e o mawashi o cinturão que cobre as partes íntimas e é feita da mesma matéria prima da mangueira que os bombeiros usam e tem cerca de 80 cm, o nó serve como proteção para a coluna quando o lutador cair. A altura dos lutadores é em média 1,85 e o peso  em torno dos 150 kg.

A técnica é o mais importante, superando até mesmo o tamanho ou o peso, existem 70 técnicas oficiais e quando um dos lutadores sai fora da arena ou toca alguma parte do corpo que não seja a sola dos pés, inclusive o cabelo, dentro dela também está desclassificado.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A cerimônia do Chá

Yo minna, como estão? Vim aqui para falar de mais um costume japonês que perdura desde muitos séculos: o hábito de tomar chá. Para os nihonjins o chá é muito mais do que uma bebida, é a essência do seu paladar e  servir o chá é uma regra de etiqueta que não pode ser quebrada pelo anfitrião nem pelo visitantes, o qual não deve recusar e nem deixar sobrar o chá.
O chá é tão importante e tão antigo na história do Japão que existe até uma arte para contemplá-lo, chamada chanoyu (água quente para chá) ou chadô (caminho do chá). O chanoyu é uma cerimônia para o preparo do macha -  chá verde em pó - que foi importado da China no fim do século XII.
A cerimônia do chá também é proveniente da China com o hábito de reunir para tomar chá para meditar e também utiliza como forma de estimular o aprendizado e valor medicinal. Ao chegar no Japão tornou-se arte e o hábito de se reunir para tomar chá se uniu a outras artes, como ikibana - arranjo floral -, pintura e shôdo  (caligrafia japonesa).
No Japão o chanoyu utensílios era muito apreciado pela classe da nobreza, a qual os samurais faziam parte e portanto decidiram estipular algumas regras para os participantes seguirem na reunião, essas regras ficaram conhecidas como chadô. Por isso também tinha como característica a ostentação.
No fim do século XV o zen budista Murata Juko (1422- 1502)  incentivou a prática em lugares menores e com menos utensílios. Um século depois a estrutura do chanoyu foi definida pelo que viria a ser conhecido como o maior de todos os mestres do chá, Sen Rikyu (1522 - 1591) o qual pregava a filosofia da eliminação dos supérfluo, assim o mestre Rikyu criou a essência da arte japonesa através de quatro princípios básicos:
harmonia (wa), respeito (kei), pureza (sei) e tranquilidade (jaku).
Bem pessoal eu ia falar um pouco sobre o ritual da cerimônia, porém acho que não conseguiria transmitir em palavras e também perderia a graça, por isso coloquei um vídeo demonstrativo, já que a cerimônia dura em média quatro horas. Para quem gostou e quer aprofundar seus conhecimentos sobre a cerimônia do chá, esse site é mais do que recomendado http://www.cerimoniadocha.com.br/



domingo, 11 de setembro de 2011

A conquista da cultura japonesa através da globalização


Nos últimos 20 anos a cultura pop japonesa veio ganhando força, inicialmente através dos animes como Cavaleiros dos Zodíaco, adaptado do mangá de Masami Kurumada, e Sailor Moon também originado de um mangá, da autora Naoko Takeuchi, e também dos tokusatsus tais como Jaspion e o Jiraiya O incrível ninja, exibidos pela primeira vez, pela extinta TV manchete.
Em 1994 estrearia, no Brasil Cavaleiros dos Zodíaco, que definitivamente marcou a primeira geração dos fãs de animes e mangás do país.  Lembro-me de quando chegava da escola e assim como muitas crianças da época corria para frente da televisão, não perdendo um único episódio, curtindo desde a música de abertura, até a do encerramento. E no dia seguinte comentar com todos o que aconteceu, com os “guerreiros de Atena”

Cavaleiros do Zodíaco/foto divulgação
Falando tanto em cultura pop começa-se a imaginar; o que ela seria realmente? Entende-se por cultura pop, a cultura aprovada e reconhecida por uma sociedade, que se identifica por ela.
“Trata-se do impacto da industrialização e da massificação na geração de referências que se tornam comuns a um povo.” (p.12). Assim Cristiane Sato, autora do livro JAPOP – O poder da cultura pop japonesa, define a cultura pop e ainda acrescenta “A cultura popular e pop convergem na criação de um referencial comum – uma característica, uma música, uma pessoa ou um objeto que se torna óbvio ou banal, que passa a fazer parte do conhecimento universal de um povo.” (p.13)
A partir dos anos 80, com o maior número programações em rede nacional, e o crescimento de brasileiros tendo acesso à televisão, a cultura pop japonesa começou a se espalhar efetivamente, apontando os primeiros ícones pop japoneses no Brasil.
Miyavi
No começo, principalmente para os que hoje em dia tem entre 19 e 25 anos, não havia conhecimento do que os animes realmente representavam, porém anos mais tarde com a popularização da internet, as crianças da época, hoje jovens e adultos, resgataram sua paixão de criança e a partir dela despertaram o interesse por outros artistas da cultura pop do Japão, sejam cantores, bandas ou atores.
O dicionário de língua portuguesa, Michaelis, define o termo globalização como “Fenômeno observado na atualidade que consiste na maior integração entre os mercados produtores e consumidores de diversos países.” Assim pode-se dizer que este fenômeno é o grande responsável por levar a cultura pop para os lugares mais longínquos que se pode imaginar, como é o caso do Brasil cujo país é o mais distante do Japão e, no entanto dividem experiências culturais tão próximas.
Após o termino da segunda guerra mundial o Japão, entrou numa fase de “ocupação”, ocupação de suas terras e consequentemente de seu modo de vida, pelos Estados Unidos. A terra do sol nascente se viu cercada de filmes, músicas, comida – leia-se fastfood – americana, no melhor estilo americanway, o jeitinho americano dos EUA divulgar e instalar a cultura pop no mundo. Porém, a pequena ilha não se deixou sumir frente a avalanche ocidental, ela se reinventou e utilizou desse “estilo” americano para criar seus próprios ícones Pops. 
Apesar da sua divulgação através dos meios de comunicação, a cultura pop se difunde na vida real também, através das convenções de animes, nos festivais de música e de outros tipos que explora toda a cultura nipônica. 
Nos estados de São Paulo, Goiás, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul encontra-se o festival Bon Odori, em muitos estados acontece de 2 a 3 eventos de anime/mangá por ano, São Paulo possui o maior evento de anime do país,o Anime Friends, além do Festival do Japão. Enfim nos últimos anos aumenta as formas de expressão da cultura japonesa.
É interessante observar o comportamento dos participantes desses eventos, percebe-se que os participantes envolvem-se de corpo e alma, seja se vestindo como os personagens que eles admiram ou utilizando palavras em japonês para se comunicar. Uma linguagem que só quem está realmente imerso nesse mundo compreende.
O artigo de Carlos Alberto Machado, A cultura midiática e a formação de novos costumes, exemplifica como se dá o uso dessa linguagem:
“(..) são as plaquetas dos otakus, sua criatividade, sua lógica interna, seus sistemas classificatórios suas regras e pressupostos. Frases escritas em papel comum ou cadernos universitários, usadas como uma forma de comunicação, visto que se entende comunicação como um processo de troca de significados”.
Diante disso conclui-se que o Japão de hoje superou a exportação pop antes única dos Estados Unidos, passou de importadora para exportadora de cultura. Agora ele se abre para o mundo influenciando não só o Brasil,mas diversas nações e despertando em todas as gerações a vontade de se integrar e explorar mais a cultura nipônica. Explorar não no sentido de extrair até não sobrar uma única gota de sua identidade, mas sim como aprender e agregar essa nova cultura, assim como os japoneses fizeram no passado.  

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os guerreiros renegados

A lenda do samurai como guerreiro solitário que conhecemos hoje teve início com uma história real que aconteceu no entre 1701 e 1702, em tempos de paz no Japão. Era o auge do sistema xogunal Tokugawa, o Xógun Tsunayoshi vivia em Edo e o Imperador, sem muito poder, em Kyoto.
Tudo começou quando dois senhores, o daimyö Naganori Asano dono do feudo de Akö e o chefe do protocolo do xogunato Yoshinaka Kira, tiveram uma desavença. Asano, novo daimyö do Xógun,  teria que receber um mensageiro imperial e cabia a Kira orientá-lo à etiqueta adequada.
 Porém Kira era um homem muito arrogante e além de não fazer o seu dever de forma correta, sempre humilhava publicamente Asano, que depois de não agüentar mais essa situação, no dia 14 de março desembainhou sua Katana no castelo de Edo (considerada uma ofensa) e feriu Kira. Por essa ofensa o Xógun ordenou que Asano cometesse o seppuku (ritual de suicídio), confiscando o seu castelo e forçando assim os seus samurais seguidores se dispersassem e tornar - se ronins.
O fato de Kira não receber nenhuma punição e que o clã Asano seria destruído, pois o Xógun apesar do pedido dos guerreiros, não daria os bens de Asano ao seu irmão menor fez com que os planejassem uma vingança contra Kira.
Para que ninguém suspeitasse, os seguidores decidiram viver individualmente uma vida errante. Alguns faziam coisas deploráveis para serem renegados por sua própria família, como vender sua esposa para prostituição – levantando dinheiro para o ataque, um empregou a irmã na casa de Kira para conseguir informações.

 Um ano e meio depois, após Kira ter abaixado sua guarda os 47 ronins liderados por Oishi Kuranosuke atacaram a sua residência, ele ainda tentou fugir se disfarçando de empregado, mas foi pego. Os guerreiros ainda deram-lhe a oportunidade de cometer seppuku, uma morte honrosa, mas diante a sua recusa eles o decapitaram e levaram sua cabeça até o túmulo de Asano, deixando-a cravada em sua espada. Apenas nesse momento eles se sentiram dignos de visitar o túmulo de seu mestre. Após isso todos se entregaram à polícia do Xogunato.
Em 4 de fevereiro de 1703 os 47 ronins cometeram o suicídio ritual. A história deles ficou conhecida por todo o Japão como verdadeiros samurais e o seu feito ficou conhecido como o ideal do buchidö se tornando heróis de sua época.

Várias peças de teatro retrataram essa história no século XVIII, e ficaram conhecidas como Chûshingura (Tesouro dos Leais Servidores)  no teatro Kabuki e depois com o surgimento do cinema isso foi passado para as grandes telas. Um dos mais famosos é o filme japonês de Shijushichinin no shikaku de 1994, e está em produção uma versão americana com Keanu Reeves intitulada 47 Ronin. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Os verdadeiros samurais

A ideia que temos hoje dos samurais é do guerreiro que caiu em desgraça e hoje vive solitário à margem da sociedade, seguindo seu senso de justiça e defendendo a sua honra. Essa imagem foi propagada através dos filmes, da literatura e dos animes. O que muitos não sabem é que essa visão do samurai na verdade é na verdade um anti herói, um ronin.
O samurai dos tempos históricos era um guerreiro que obedecia fielmente a um senhor feudal ou a um governante, fazendo parte de uma das classes mais altas da sociedade japonesa e que era bem remunerado, além de obter privilégios. A classe dos samurais surgiu no Xogunato Tokugawa (1603 - 1867), com o fim de guerras internas para o domínio do Japão e era formada por guerreiros sem nenhum refinamento cultural.
Antes de tornar um samurai de fato eles tinham que estudar o bushidö (caminho do guerreiro), um código de deveres e conduta social, que garantia a manutenção dos samurais como uma classe mesmo em tempos em que a guerra havia cessado.
Esse código garantia aos governantes obediência, fazendo com que os samurais deixassem de ser mercenários e assassinos que lutavam por quem pagasse melhor.
Para justificar a existência de uma classe guerreira com tantos privilégios, já que estes poderiam ganhar quimonos de seda - significava status na época- ou até mesmo matar alguém que o desrespeitasse, era preciso impor uma imagem para se tornar um exemplo moral.
Assim os samurais se tornaram guerreiros habilidosos com suas Katanás que impunham poder e status e foram educados para não questionar e sim obedecer.

sábado, 6 de agosto de 2011

Duas bombas, um futuro

Hoje completa 66 anos que o Japão sofreu uma das maiores tragédias da história, uma bomba atômica foi jogada na cidade de Hiroshima. Uma cicatriz que não pode ser fechada, pois até hoje existem sequelas e serve como marco na luta contra o uso de armamento nuclear.
Hiroshima foi atingida três dias antes de Nagasaki, a explosão das duas bombas devastou as cidades sem deixar rastro, além de acabar com a vida de 140 mil pessoas, deixar milhares deformadas ou com problemas de saúde que reflete em seus descendentes.
Para quem quer saber mais sobre os ataques à Hiroshima e Nagasaki indico o livrorreportagem Hiroshima.

    Escrito por John Hersey, Hiroshima é um livrorreportagem que conta a vida de seis pessoas sobreviventes da bomba atômica, como foram os primeiros momentos logo após o impacto, por um ano e 40 anos mais tarde.
      Quando li esse livro realmente me senti como se estivesse naquele cenário (quero ler de novo!!), apesar de ser um periodo triste vale a pena se entregar a leitura e saber mais do que simples números, conhecer os sentimentos dos japoneses diante de tudo aquilo, como eles enfrentaram e se reergueram. Falando abertamente, eu fiquei com muita raiva -mais do que já tinha- dos Estados Unidos, porém ao ver como os próprios japoneses se sentiram, mesmo não concordando eu tentei entender ou melhor, analizar o contexto histórico, o que não quer dizer que seja justificável sua atitude.

Nos dias atuais, com o incidente na usina nuclear de Fukushima se discute o uso dessa energia para abaster as grandes cidades. Porém neste dia mais do que em qualquer outro, não só os japoneses mas todo o mundo deve repensar na dependência da energia nuclear.